Com os pés a um palmo do chão...
Todos os dias milhares de blogs são criados, para que milhares de posts sejam publicados a cada segundo.
A profusão de opiniões, pensamentos, críticas, discussões, palavras é uma das heranças da Democracia. O direito à expressão livre de todos os cidadãos. Tenham opiniões válidas ou não… Como os votos. Um cidadão, um voto. Seja um voto consciente ou comprado.
E fazem-se campanhas, organizam-se debates, unicamente para que haja uma maioria a defender a mesma opinião, para conquistar o poder. O poder da maioria. Que prevalece sobre todas as outras opiniões…
Usam-se argumentos, constroem-se teorias para se conquistar uma massa critica de apoiantes. Quando essa massa for suficiente representativa da população, num número tão matematicamente puro como 51%, temos uma verdade, um caminho escolhido, uma decisão política.
E quem não concordar? E as outras opiniões tão válidas como a essência do pensamento livre? Passam a fazer parte do politicamente incorrecto… desvios da sociedade…
Não custa muito viver nesta sociedade moderna, na qual basta sermos ovelhas arrumadinhas num imenso rebanho, sem vícios, sem grandes anseios, ambições, ou sonhos… amigos do ambiente o suficiente para reciclarmos o pacote de leite, mas não prescindirmos do ar condicionado… cidadãos exemplares o suficiente para pagarmos o IRS com todas as despesas possíveis e impossíveis de declarar… democratas o suficiente para termos opiniões sobre tudo e dizer mal de todos os políticos que já passaram pelos últimos governos dos últimos anos…
Não, não sou perfeita… e também grito demasiado alto para defender as minhas opiniões… e gosto de argumentar, discutir, opinar sobre tudo… Mas às vezes as palavras também nos cansam, nos esgotam. A verdade perde-se por detrás de demasiadas palavras.
Tentem viver num país onde não percebem a língua natal. O ruído das palavras, da publicidade, das notícias na televisão passa a ser ruído sem qualquer significado. E voltamos a sonhar, como crianças que ainda não sabem falar.
E sentimos que caminhamos com os pés a um palmo do chão, dum caminho que não é o nosso, como se não pertencêssemos ali…

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